Pioneer 12

Publicação: 19 de dezembro de 2009

escrito em:
21 de Junho de 1990

Da janela panorâmica de Phœbe , outrora satélite de Marte, a visão era fantástica… Contra o tecido negro do espaço era possível divisar a Usina Cilíndrica, a cerca de trinta quilômetros de distância. Ela parecia um brinquedo, um brinquedo no qual haviamos trabalhado por mais de um ano. Na época em que Phœbe , equipado com toda sorte de equipamentos astronáuticos e potentes propulsores, saiu do Sistema Solar, provavelmente, o tempo que tivemos, parecesse muito curto para montar uma estrutura tão complexa como a Usina. Era um engenho experimental e, àquela distância, não parecia ter seus quinhentos metros de comprimento por trinta e cinco de raio, embora se mostrasse evidentemente grande. Tais medidas, eu acreditava, espantariam até mesmo os capazes técnicos do já longínquo planeta Terra.

Centenas de gerações haviam se passado, tantas que era possível que a própria Terra já não estivesse mais habitada. Toda minha vida eu havia passado no interior de Phœbe , bem como meus pais, avós, bisavós e boa parte de minha família ascendente. Este sempre fôra o problema com as viagens em velocidades relativísticas… Por isso, Phœbe era encarado por todos os seus habitantes como um mundo individual, seu planeta-mãe – assim como os povos da Terra encaravam o planeta em que nasceram. Era verdade que, por termos conseguido alcançar o potencial propulsor equivalente à pouco mais que dez porcento da velocidade da luz em certas viagens, os efeitos relativísticos causavam um retardo no fator tempo do interior da nave em relação ao resto do Universo. Tais efeitos eram já bastante mensuráveis, no entanto, poucas vezes alcançamos tais velocidades já que as manobras de frenagem eram um processo dispendioso em termos de recursos.

Nosso planeta – era como o encarávamos – era um asteróide, não mais que isso. Há muito ele orbitara um mundo que gritara em altos brados contra a decisão do resto do Sistema de despojá-lo de sua lua. A primeira missão do grande asteróide Phœbe , logo que deixara para trás o abraço gravitacional de seu planeta mãe – Marte – foi uma viagem até a estrela Procyon, símbolo da esperança humana de acertar nas primeiras tentativas. Procyon possuía um sistema planetário, era verdade, mas não vida, muito menos vida inteligente. Valeu a intenção, realmente, mas essa é a vigésima terceira missão de Phœbe , é nossa oitava passagem próxima à um sistema planetário, e não encontramos forma alguma de vida inteligente até muito tempo depois de começar nossa busca.

Isso tudo faz parte de uma história muito longa, a qual não estou apto a contar, já que escolhi como carreira a Engenharia Energética. Entretanto, como sempre, eu me perdia em elucubrações ao divisar a negritude do espaço e as redondezas do asteróide.

Dois pequenos ônibus espaciais, que cruzavam o caminho entre o “Seixo” – Phœbe – e a Usina, quase roçaram nos longos cabos de fribras-de-carbono, que se estendiam por milhares de quilômetros desde a construção cilíndrica. Os cabos eram o produto de máquinas sintetizadoras dedicadas a transformação de compostos orgânicos diversos – refugos das industrias de Phœbe – nos fortíssimos fios que se trançavam para formar as “cordas” que vinhamos carregando por centenas de anos. De umas dezenas de anos para cá, com uma melhor idéia de sua possível utilização, vinhamos reprocessando seu material para mesclar a ele uma série de elementos de dureza propositadamente maior.


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Categorias Phoebe, Sistema: Sol

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