A Coisa mais Importante

Publicação: 29 de dezembro de 2009

“Tecnécio”, era o que se lia nos monitores… “Mas como?”, o tecnécio era um elemento inexistente na natureza. Tratava-se de um elemento criado por meios alheios aos processos naturais de formação atômica. Mesmo que tal material fosse utilizado na construção de naves do Eixo, e não era, qual a probabilidade de outra nave ter estado ali antes deles e descido ou colidido com um daqueles asteróides?

Quando os outros tripulantes chegaram a cabine de comando, Abraham, aturdido, tentava entrar em contato com a Maelstrom

– Estamos no páreo… – balbuciava como que se dirigindo à própria Fellini – Ainda estamos no páreo…

* * *

O veículo tinha mesmo uma morfologia bastante atípica, tão atípica que, na verdade, não sabiam se deviam ou não considerá-lo um veículo. A única pista de que este era o caso eram as marcas deixadas nos arredores quando de sua suposta colisão com aquele reduzido asteróide.

As superfícies arredondadas estavam por toda parte. A “nave” obedecia um padrão arquitetônico desconhecido, que não parecia ter qualquer compromisso com a lógica daqueles que a divisavam naquele momento. Os danos na fuselagem sugeriam uma queda e uma direção de movimento… mas era tudo.

Edra acabara de contornar a coisa com um analisador, confirmando com a cabeça que o objeto viajara por um percurso considerável – em termos astronômicos – antes de colidir com o asteróide sobre o qual eles se encontravam. Todos, como a física de partículas, estavam estupefatos com a realidade de tudo aquilo: acabavam de encontrar algo que deveria, provavelmente, estar ali por milhares – talvez milhões – de anos.

Logo que Abraham venceu a distância até os calcinados arredores da nave alienígena ele pode constatar que era realmente tecnécio – ao menos boa parte do veículo era recoberto com uma liga do material. Era uma estranha escolha, mas o espectrômetro não poderia estar enganado. O material estava em toda parte do casco, embora não parecesse ser a base principal que o compunha.

Só naquele momento, quando Borges saía de trás da capsula (e talvez esta fosse uma boa descrição do engenho) Abraham notara que estivera contemplando o artefato alienígena sem fazer qualquer movimento por um tempo já considerável.

A gargalhada irritante de Borges invadia os auto-falantes dos capacetes dos outros cosmonautas – Nosso comandante parece mesmo embasbacado! – E continuou com a risada desagradável.

Não houve reação parecida por parte dos outros tripulantes. Nem mesmo Lianne, a engenheira multitrônica da equipe, que ficara na Fellini, articulou qualquer som – um “milagre”.

Sanmbar não entendia como um cosmonauta graduado como Álvaro Borges podia ser tão indiferente e leviano com que acontecia.

Finalmente alguém quebrou o silêncio no recém batizado asteróide de Atlântida. Pellinore, o responsável da equipe pelo suporte vital, informara que Lianne acabara de sofrer uma grave queda de pressão e que ele a conduzira à reduzida enfermaria da Fellini.

Podia, agora, avistar os três tripulantes que desceram com ele. Todos se moviam de forma bastante desengonçada, segurando-se nos cordames que tiveram de espalhar desde a nave até toda a volta da cápsula alienígena. Com a baixa gravidade do asteróide não podiam se arriscar a andar soltos por sua superfície.


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Categorias Contos, MegaParsecs, Sistema: Sol

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