A Coisa mais Importante

Publicação: 29 de dezembro de 2009

escrito em:
29 de Abril de 1994

“Na manhã de ontem, rádio-astrônomos de Morkovics, no lado escuro de Luna, receberam um volumoso pacote de informações provenientes da estrela batizada de Solenne, distante em mais de vinte anos-luz do nosso Sol. Tais informações, coletadas e processadas pelas naves exploradoras daquele sistema, e que viajaram por mais de quatrocentos anos, coroa de êxito um empreendimento já tão criticado no passado.

“O recebimento da extensa mensagem prova que os esforços quadri-centenários da Liga Governamental – no sentido de viabilizar o projeto MegaParsecs – foram muito mais que meramente importantes. Os dados emitidos por uma das naves colonizadoras em Solenne parecem indicar a existência de outras formas de vida inteligente no Universo.

“A evidência, infelizmente, não prova que a hipotética raça alienígena ainda exista, mas que já tenha existido há, pelo menos, dez mil anos. Não é possível provar, ainda, que tais seres tenham vivido em algum planeta que orbite Solenne, e a maior parte dos cientistas parece bastante cética a esse respeito.

“O especialista cientifico Abraham Sanmbar, responsável pelo achado, afirmou que a descoberta é um marco na história do homem e o evento mais importante de todos os tempos para a raça humana. Em conferência, na noite de ontem, o conselho da Liga se pronunciou através de seu porta-voz, afirmando que ´o artefato descoberto no Cinturão de Asteróides de Solenne eclipsa quaisquer problemas sócio-administrativos ressaltados pela oposição nos últimos duzentos anos´.

“A nau colonizadora Maelstrom, paneuropéia, que enviou a nave tripulada de pesquisas ao Cinturão de Solenne, inseriu um comunicado de seu comandante para as nações amigas do Eixo Terra-Luna-Marte no pacote enviado da estrela distante, já que, quando de sua partida, o Sistema Joviano ainda não fazia parte da Liga…”

* * *

A manobra política de seu superior não o incomodara. O que realmente o deixara nervoso foi em quanto as coisas mudaram após a detecção do material num dos asteróides do cinturão.

…Quando uma falha dos sistemas os afastaram do Gigante Gasoso, o maior planeta na órbita de Solenne, Sanmbar não tinha mais dúvidas de que viajara hibernando por mais de quatrocentos anos na Maelstrom apenas para morrer no espaço entre nada e lugar nenhum. “A vida era assim mesmo”… ao menos a vida de um cosmonauta.

Ele e sua tripulação haviam singrado o espaço entre Dalmus e o Gigante Gasoso, dentro da nave de pesquisas, sem maiores problemas. Sentia-se bem desde o início naquela missão. Estava em seu elemento…

Mais de trinta naves se amontoavam na órbita de Dalmus, o planeta alvo do projeto MegaParsecs de colonização planetária. Esse nunca fora seu conceito de aventura. Em sua visão, era pura covardia colonizar um planeta lançando mão de tantos recursos.

A missão que lhe fôra confiada, bem como ao resto dos homens e mulheres a bordo da Fellini era instigante. Eles guardavam um segredo muito importante para o futuro da Maelstrom – sua nau-capitânia – uma das naves em órbita de Dalmus.


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Categorias Contos, MegaParsecs, Sistema: Sol

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